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O Teatro de João Redondo no Rio Grande do Norte - Brasil

por Maria das Graças Cavalcanti Pereira

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Texto en Español

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No Rio Grande do Norte, o Teatro de Bonecos é denominado “João Redondo”, recebendo vários outros nomes nos estados nordestinos (1). Isso evidencia o caráter historicamente masculino da tradição, representada por alguns mestres (2) já falecidos ou por seus multiplicadores, que, aos poucos, foram inseridos nesse universo lúdico.

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Um dos primeiros registros que se tem conhecimento no RN sobre essa brincadeira é de 1950. Levantamento feito por José Bezerra Gomes, sobre o calungueiro Sebastião Severino Dantas, “Seu Bastos”, conhecido artista da região do Seridó (RN).

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Esse teatro tem como forte característica a fabricação artesanal de bonecos e objetos de cena. Vale destacar que o teatro de bonecos do Nordeste mantém traços estéticos comuns.

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Para muitos brincantes, o princípio da brincadeira está ligado a sua experiência, ao ato de assistir, de fazer pela primeira vez. Há relatos de mestres que se iniciaram de várias maneiras: alguns por verem outros brincantes, espontaneamente, outros por tradição familiar; há também aqueles que encararam a iniciação na arte como um desafio ou até mesmo pela curiosidade de manipularem um pequeno objeto entre os dedos e sentirem a emoção ao realizar tal feito, cada um com suas particularidades.

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Além de uma influência familiar e de um encanto pela brincadeira, em algum momento da vida do brincante, aprender e entrar nesse universo segue algumas lógicas e experiências particulares. Existem ainda aqueles que, através de seus afazeres, geralmente ligados a arte, introduziram esse universo em seu cotidiano.

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Os mestres falam do aprendizado como um processo quase “natural”, como ocorria nas corporações de ofício medievais, onde as crianças se misturavam aos adultos no dia a dia e socializavam-se em diferentes profissões, sem passar por um aprendizado fora da família. Para os que não têm a sorte da proteção do mestre, começam olhando a brincadeira de fora, buscando observar o comportamento dos mestres para depois imitá-los. E, os sobrenomes não formais, e sim apelidos informais de família são usados, como acontece no teatro de bonecos no RN, tais como: Relâmpo, Daniel, Lourenço, Basílio, Rosa, marcam mais o brincante do que o parente.

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A escultura dos bonecos de luvas, tipo mais usado entre os brincantes, recebem proporções anatômicas que são levadas em consideração no ato de sua construção, sem esquecer que toda expressão corporal limita-se à cabeça e mãos, pois o resto do corpo, inexistentes na quase totalidade dos bonecos ocultam-se sob as vestes, que já caem no campo do decorativo ou da costura simplesmente.

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Em seus aspectos físicos destacam-se narigões, olhos esbugalhados, bocarras por vezes apenas pintadas, com traços amplos, com dentes exagerados, sobrancelhas, bigodes, barbas, colados por materiais diversos ou mesmo pintados, entre outros, sem preocupações realistas.

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Cada personagem é esculpido dentro de uma concepção simbólica de sua função no enredo. Os nomes das personagens têm grande ênfase neste tipo de teatro, que representa comédias improvisadas, a partir de um roteiro que se atualiza e se modifica com os acontecimentos cotidianos e interações com as pessoas da plateia.

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Essa forma de teatro no RN possui um elenco variado de personagens em que se inclui primeiramente o Capitão João Redondo, representante da camada social superior, dominante. Apresenta-se como o arquétipo do proprietário de terras do Nordeste, que usualmente recebe a patente de "Coronel". Ele é o "dono da brincadeira", aquele que inicia e termina a apresentação.

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O capitão João Redondo, por exemplo, é o boneco de maior tamanho. Faz a encenação com Baltazar ou Benedito, de menor estatura, negro, mirrado, voz fina, fraco na aparência, mas valente, sabido, astuto, cheio de malícia. Possui caráter irreverente, justiceiro, vocabulário recheado de palavrões, questionador das autoridades constituídas, resolve sempre seus conflitos com surras e pauladas. Apresenta-se como representante da inconformação do povo nordestino.

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O mestre brincante procura destacar traços em cada personagem, buscando, além de identificá-la, diferenciá-la das outras. As personagens são, normalmente, típicas: o patrão, o soldado, a amante, a bela, a má, o trabalhador, entre outras.

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Os tipos secundários são aqueles que representam a memória coletiva, os mitos e as crendices populares, tais como a Alma, a quem o diabo persegue tenazmente, derivados do ciclo da assombração do bumba-meu-boi, por exemplo, em que a imaginação do escultor, prevendo a função do boneco na brincadeira, comanda a liberdade de intenções mais do que a formal. Vestida de branco, a cabeça muito pequena, a menor de todas, tem mãos imensas, caídas em cima do camisolão bem comprido. Apresenta-se pedindo piedade, causando forte impressão.

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O Médico, a Alma ou Zumbi, o Diabo e o Negro Xangozeiro, através da imitação de gestos, vozes e danças, contagiam o público. O Diabo aparece como uma personagem extremamente rica, que ainda hoje causa medo na plateia, com o objetivo de levar os mortos das histórias para o inferno, sem se importar se são ruins ou bons.

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Já a presença da Alma traz à cena a própria morte, que carrega as marcas das personagens alegóricas medievais. O Padre é um boneco bastante representativo que, à maneira dos frades missionários, apresenta-se aconselhando a todos, para evitar o pecado, lembrando que o "dia do julgamento" está próximo.

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Assim, dando ouvidos à tradição do teatro de bonecos no RN, a cobra e o boi são os bichos que mais aparecem nesse teatro. O primeiro, encarnando o espírito do mal, ligado à ideia do pecado original, engolindo as pessoas, mas aniquilado por um "Benedito" ou "Baltazar", que é disposto e valente. O segundo está relacionado aos anseios pastoris das populações rurais da zona nordestina.

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A dinâmica do texto geralmente ocorre com a sucessão de quadros autônomos, que seguem um esquema de pequenas cenas, entrecortadas por músicas, com entradas e saídas de bonecos/personagens, acompanhadas de pequenas intrigas, que são desenvolvidas, muitas vezes, pelo improviso.

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É dos temas mais fáceis que os brincantes tiram os melhores efeitos no teatro de bonecos. E, o aprendiz/espectador, ao ser absorvido pelas histórias, pela magia do próprio boneco que se faz presente, envolve-se, mergulhado no brinquedo. É como se o espírito do João Redondo vagueasse através das criticas dos costumes, por meio das personagens. Na verdade trata-se da transferência das virtudes e vícios humanos para os bonecos, que representam tipos característicos de certas classes sociais.

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Partindo do princípio escultural da cabeça, os traços tendem a serem expressivos, caricaturais, com linhas que reforçam ou mesmo estereotipam os bonecos. Outros são sóbrios e alguns buscam certa naturalidade e veracidade. Observa-se também que, geralmente, as características de determinados bonecos estão intimamente ligados ao universo do brincante, seja expondo traços de seu feitor, de familiares ou de pessoas de sua comunidade.

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As mãos dos bonecos, por sua vez, tanto podem ser entalhadas, quanto utilizadas de outros materiais, como por exemplo, do tipo das que são usadas em bonecas de borracha. Alguns bonecos não têm as mãos, por opção do mestre, utilizando uma espécie de luvinha, acompanhando o formato do camisolão, para vestir os dedos de seu manipulador.

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Personagens do teatro de João Redondo em Exposição
“Arte e Magia dos Bonecos” em ago/2005 no Memorial Câmara Cascudo
Foto: Graça Cavalcanti

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Seu movimento é produzido pelas mãos: o dedo indicador introduz-se na cabeça e os dedos polegar e médio nos braços. Os bonecos variam de tamanho, podem ser, segundo a maioria dos brincantes, tanto de cabeça pequena ou grande. Os que têm mecanismo articulam os olhos, pescoço, braços/mãos e, principalmente, a boca. O corpo, em sua maioria, consiste de um pano colorido, geralmente em forma de um camisolão.

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Mostra da estética dos bonecos de Dadi
Foto: Manoel Bezerra

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Boneca de fio construída por Dadi
Foto: Manoel Bezerra

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Oficina de bonecos de Dadi em sua residência
Foto: Graça Cavalcanti

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Boneca de Dadi com indumentária de chita e cabelo de lã
Foto: Manoel Bezerra

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Pode-se verificar nos bonecos, que o figurino e adereços compõem o aspecto do boneco em sua “corporeidade”. Os adereços, por sua vez, dão um caráter peculiar a cada personagem, que ligados à sua composição, complementam a forma e sua caracterização.

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Alguns elementos são esculpidos, pintados, furados e outros aplicados à cabeça ou ao corpo/roupa dos bonecos, como por exemplo, as orelhas feitas em sua maioria, em cola tipo Durepoxi. A própria maquiagem ou pintura que contornam os olhos, a boca, os brincos, dentes e sinais que realçam a expressão, condiz com a personalidade do boneco. As cores utilizadas nessa personificação constituem um elemento importante para sua caracterização: preto, branco, bege, rosa etc., que cobrem cabeças e mãos, que ainda são complementadas, por exemplo, pelo vermelho que serve ao mesmo tempo para indicar a boca e a cor do batom e o rouge para as bochechas, fazendo fluir os traços e o imaginário da plateia.

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Entre outros adereços utilizados estão os chapéus, brincos, colares e vários tipos de cabelos. São usados cabelos de humanos, de nylon, de crina de cavalo ou de bode, que ficam no sol estendidos, como roupas em quaradouro, para perder o cheiro característico. Depois são colados à cabeça ou usados nos bigodes dos bonecos. O uso da palha e de produtos industrializados nesses adereços busca dar forma e expressão à matéria, caracterizando-a, assim, como uma persona.

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Coleção primeiros bonecos feitos por Dadi
Foto: Fernando Pereira

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Coleção bonecos de Dadi
Foto: Manoel Bezerra

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Adereços na indumentária masculina com bonecos de grande porte de Dadi
Foto: Manoel Bezerra

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Indumentária feminina com adereços feitos por Dadi
Foto: Manoel

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Dadi com bonecos de grande porte à sua frente e sua mala de bonecos
Foto: Alessandro Amaral

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O local escolhido para a construção dos bonecos pode ser modificado sempre pelo mestre, dependendo do horário e da temperatura do ambiente: pode ser em seu alpendre/varanda, no quintal, entre as árvores, na rua ou no último fundo da casa. Ou ainda, em um espaço reservado em sua casa, denominado de quarto, ateliê ou oficina, onde guarda suas ferramentas, bancada de madeira, mala de bonecos, tintas, pincéis, máquina de costuras e material para confeccionar a indumentária dos bonecos.

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A maioria dos mestres segue a tradição de possuir malas em madeira e outros materiais, para acondicionar seus calungas, bonecos, ou “meninos”, como alguns chamam. E, quanto maior a coleção ou “terno” de bonecos, maior o tamanho da mala.

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A manipulação desses bonecos/personagens tem como objetivo a encenação de histórias tecidas na tradição, nutridas pelo improviso e pela novidade. São inseridas nas memórias e práticas estabelecidas dentro de uma tradição rica, viva e dinâmica, que vem se movendo durante décadas e que falam desse conhecimento que é repassado entre membros de uma mesma família ou na relação brincantes/receptores, com práticas apreendidas no ato do brincar e que são inscritas em corpos brincantes.

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A plateia, por sua vez, tem uma importância fundamental na encenação da apresentação, e, de sua reação, depende o êxito da brincadeira. E, por falar na plateia, o jogo, a brincadeira, só se realiza diante dela, para ela e com ela. Há um respeito pela participação dos espectadores que se identificam com os bonecos, nas diversas situações das apresentações. Ela dá legitimidade aos brinquedos, elegendo e reconhecendo seus mestres mais criativos.

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Essa brincadeira é a responsável pelo entretenimento dos moradores de pequenos sítios e lugarejos, escolas, praças públicas e pequenos circos mambembes, na casa do próprio bonequeiro ou outro lugar marcado pelo proponente interessado. Acontece geralmente em áreas abertas, por trás de uma pequena cortina ou tolda com espaço reservado para o brincante movimentar os bonecos. Essa é uma apresentação magistral de vivacidade, de colorido, de alegria, com ritmo e expressão sem sofisticação, apoiando-se na tradição.

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(1) No Rio Grande do Norte, esse teatro toma o nome de “João Redondo” ou “Calunga”; ”Mamulengo” em Pernambuco; ”Babau” na Paraíba; “Cassimiro Coco” no Ceará e Piauí.

(2) José, Miguel e Antônio Soares de Assis, conhecidos como os “irmãos Relampo”, Feliciano, Chico Daniel, Francisco Rosa, Joaquim Lino, João Constantino Dantas, Antônio Pedro da Silva, Joaquim Cardoso, Antônio Gordo, Paulo Vicente, José Bernardino, Jeremias Avelino, Sebastião Severino Bastos, já falecidos. Ou pelos mestres que estão na ativa, recentemente inventariados pelo registro do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN para transformar o Teatro de Bonecos do Nordeste como Patrimônio Cultural do Brasil, como por exemplo: Raul, Heraldo Lins, Ronaldo, Francinaldo, Manoel Dadica, Zé do Fole, Marcelino, Felipe, Tio João, Josivan, Daniel, entre outros.

 

 

 

 

 

El Teatro de Juan Redondo en Rio Grande del Norte - Brasil

por Maria das Graças Cavalcanti Pereira

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En Río Grande del Norte, el teatro de títeres llamado "Juan Redondo", recibe varios otros nombres en los Estados del nordeste de Brasil (1). Esto pone de manifiesto la tradición de carácter históricamente masculina, representada por algunos Maestros (2) fallecidos o por sus multiplicadores, que, poco a poco, fueron incluidos en este universo lúdico.

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Uno de los primeros registros de que se tiene conocimiento en Río Grande del Norte (RN) acerca de este teatro popular (brincadeira) es de 1950. El estudio realizado por José Bezerra Gomes, del calungueiro Sebastian Severino Dantas, "Don Bastos", conocido artista de la región de Seridó (RN).
Este teatro tiene como fuerte característica la fabricación artesanal de muñecos y objetos de la escena. Cabe señalar que el teatro de títeres del nordeste mantiene rasgos estéticos comunes.

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Para muchos titiriteros (brincantes), el principio del juego teatral está conectado a su experiencia, el acto de ver, y de actuar por la primera vez. Hay relatos de Maestros que se iniciaron de diversas formas: algunos por ver otros brincantes, espontáneamente, otros por tradición familiar. Hay quienes enfrentaron la iniciación en el arte como un desafío o incluso por curiosidad para manipular un objeto pequeño entre los dedos y sentir la emoción de lograr tal hazaña, cada un con sus particularidades.

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Además de la influencia familiar y un encanto por juegos de palabras, en algún momento en la vida de un alegre titiritero popular, aprender y entrar en este universo sigue algunas experiencias personales. Todavía hay quienes, a través de sus tareas, a menudo vinculadas al arte, introdujo este universo en su vida cotidiana.

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Los Maestros hablan de aprendizaje como un proceso casi "natural", como ocurrió en oficios de artesanía medieval, donde los niños se mezclaban con adultos en el día a día y se preparaban en diferentes profesiones, sin pasar por un aprendizaje fuera de la familia. Para aquellos que no tienen la suerte de protección del Maestro, comenzar a mirar el juego, tratando de observar el comportamiento de los Maestros y luego imitarlos. Y, los apellidos informales y los apodos no formales de familia, se utilizan, como ocurre en el teatro de títeres en RN, tales como: Relâmpo, Daniel, Lourenço, Basilio, Rosa, marcar más el brincante de que el pariente.
La escultura de títeres de guante, tipo más utilizado entre los brincantes, las proporciones anatómicas se toman en consideración en el momento de su construcción, sin olvidar que la expresión de todo el cuerpo se limita a la cabeza y las manos, porque el resto del cuerpo, inexistente en casi todas los muñecos se ocultan bajo las vestimentas, que ya caen dentro del campo de la costura decorativa.

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En sus aspectos físicos incluyen narigones, ojos muy abiertos, bocas apenas pintadas, con grandes trazos, con dientes exagerados, cejas, bigotes pegados por diversos materiales o incluso pintados, entre otros, sin preocupaciones realistas.

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Cada personaje es tallado dentro de una concepción simbólica de su papel en la trama. Los nombres de los personajes tienen gran importancia en este tipo de teatro que representa la comedia improvisada, desde una secuencia de itinerarios que se actualizan y cambian con los acontecimientos del cotidiano e interacciones con personas del público.

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Esta forma de teatro en RN tiene un variado elenco de personajes y como principal figura el Capitán Juan Redondo, representante de la capa social superior, dominante. Se presenta como el arquetipo del terrateniente del nordeste, que normalmente recibe el grado de "Coronel". Es el "dueño de un juego teatral ( brincadeira) ", que comienza y termina la presentación.

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Capitán Juan Redondo, por ejemplo, es el títere de mayor tamaño. Hace la puesta en escena con Baltazar o Benedito de menor estatura, negro, flaco, descarnado, voz fina, débil en apariencia, pero valiente, astuto y lleno de malicia. Tiene carácter irreverente, justiciero, vocabulario lleno de palabrotas, enfrenta las autoridades y valiente siempre resuelve los conflictos con palizas y cachiporradas. Se presenta como el representante inconformado del pueblo nordestino.
El Maestro pretende resaltar los trazos en cada personaje, que busca, además de identificarlo, diferenciarlo de los otros. Los personajes son, típicos: el jefe, el soldado, la amante, la bella, el malo, el trabajador, entre otros.

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Los tipos secundarios son los que representan la memoria colectiva, mitos y supersticiones populares, tales como el alma, a quien el Diablo persigue tenazmente y derivados del ciclo del bumba-meu-boi, por ejemplo, en el que la imaginación del escultor, previendo el papel del muñeco en el juego teatral (brincadeira), conduce la libertad de intenciones. El alma, vestida de blanco, la cabeza muy pequeña es el títere más pequeño de todos, tiene enormes manos, caídas sobre la camisola, se presenta pidiendo compasión, causando gran impresión en el público.

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El médico, el alma o Zumbi, el Diablo y el Negro Xangozeiro a través de la imitación de gestos, voces y danzas, pasan su entusiasmo al público.
El Diablo aparece como un personaje muy rico, que todavía hoy, causa temor entre el público con el objetivo de traer los muertos a las historias del infierno, sin importarles si son buenas o malas.

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Ya, la presencia del alma trae la propia muerte a la escena, que lleva las marcas de caracteres alegóricos medievales. El sacerdote es un títere bastante representativo, que como los frailes misioneros, asesorando a todos para evitar pecar, señalando que el "día de la sentencia" está cerca.

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Así, siguiendo la tradición del teatro de títeres en RN, la serpiente y el buey son los animales que aparecen en este teatro. La primera, que personifica los espíritus del mal, conectada a la idea del pecado original, ingestión de gente, pero muerta por un “Benedito o Baltazar”, dispuestos y valientes. El segundo está relacionado con los deseos pastoriles de las poblaciones rurales de la zona del nordeste.

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La dinámica del texto se produce generalmente con la sucesión de cuadros autónomos que siguen un esquema de pequeñas escenas, puntuadas por canciones, con entradas y salidas de títeres y personajes, acompañados de pequeñas intrigas que se desarrollan, a menudo por la improvisación.

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De los temas sencillos, el brincante toma los mejores efectos en el teatro de títeres. Y el aprendiz/espectador, pasa a ser absorbido por las historias, por la magia del propio muñeco que se presenta, e implica en sí mismo, una inmersión en el juego de la escena. Es como si el espíritu de Juan Redondo vagase a través de la crítica de las costumbres, por medio de los personajes. De hecho es la transferencia de los vicios humanos y virtudes de los muñecos, que representan la característica de los tipos de determinadas clases sociales.

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Partiendo del principio escultural de la cabeza, los rasgos tienden a ser características expresivas, burlescas, con líneas que refuercen o incluso estereotipan los muñecos. Otros son sobrios y algunos buscan cierta naturalidad y veracidad. También puede observarse que, en general, las características de ciertos muñecos están íntimamente conectadas al universo del alegre brincante y se exhiben vestigios de su supervisor, familiares o personas de su comunidad.

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Las manos de los muñecos, a su vez, pueden ser talladas, como utilizar otros materiales, como por ejemplo los tipos utilizados en las muñecas de goma. Algunos títeres no tienen manos, por opción, utilizando una especie de guantes, siguiendo el formato de la camisola, para llevar los dedos de su manipulador.

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Personajes del teatro de Juan Redondo en la Exposición
“Arte y Magia dos Bonecos” en el año/2005 en el Memorial Câmara Cascudo
Foto: Graça Cavalcanti

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Su movimiento es producido por las manos: el dedo indicador se introduce en la cabeza y el pulgar y el dedo medio en sus brazos. Los títeres varían en tamaño, pueden ser, pequeños o grandes. Los que tienen movimiento, su mecanismo está en los ojos, cuello, brazos y manos y, principalmente, en la boca. El cuerpo consiste en una tela de color, normalmente en forma de una camisola.

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Detalles de la estética de los títeres de Dadi
Foto: Manoel Bezerra

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Títere de hilo construido por Dadi
Foto: Manoel Bezerra

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Taller de títeres de Dadi en su casa
Foto: Graça Cavalcanti

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Títere de Dadi con vestido de "chita" y cabello de lana
Foto: Manoel Bezerra

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Se puede comprobar en los títeres, que el vestuario y la utilería conforman la apariencia de la marioneta en su corporeidad. Los adornos del muñeco, a su vez, dan un carácter peculiar a cada personaje, que con su composición, complementan la forma y su caracterización.

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Algunos elementos están tallados, pintados y otros aplicados en la cabeza o en el cuerpo y la ropa de las muñecos, como por ejemplo, las orejas en cola tipo Durepoxi. El maquillaje o pintura alrededor de los ojos, boca, dientes, aretes son signos que ponen de relieve la expresión y coincide con la personalidad del títere. Los colores utilizados en esta personificación son elementos importantes para su caracterización: negro, blanco, beige, rosado etc., que cubre la cabeza y las manos, que todavía se complementan, por ejemplo, rojo que sirve al mismo tiempo para entrar en la boca y el color del lápiz labial y el rouge de las mejillas, haciendo fluir los trazos e imágenes de la audiencia.

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Otros accesorios utilizados son los sombreros, aretes, collares y diversos tipos de cabello. Se utilizan en pelo humano, crina de caballo, de nailon o de cabra, que se extienden al sol para perder el olor característico. Después son pegados en la cabeza o utilizados en los bigotes de las muñecos. El uso de productos industrializados y paja en estos adornos busca dar forma y expresión a la materia, caracterizándola, así, como una persona.

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Colección de los primeros títeres hechos por Dadi
Foto: Fernando Pereira

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Colección de títeres de Dadi
Foto: Manoel Bezerra

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Detalles de la ropa masculina de un títere de grande tamaño de Dadi
Foto: Manoel Bezerra

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Vestido feminino con detallles hechos por Dadi
Foto: Manoel

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Dadi con títeres de grande tamaño a su lado y su maleta de títeres
Foto: Alessandro Amaral

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El sitio elegido para la construcción de los títeres puede modificarse constantemente por el maestro, dependiendo del tiempo y la temperatura del medio ambiente: puede ser en su porche o balcón, en el patio, entre los árboles, en la calle o en el último fondo de su casa. O incluso, en un lugar especial en su sala principal, llamada, atelier o taller, donde guarda sus herramientas, bancada de madera, valija de títeres, pinturas, pinceles, máquina de coser y material para producir la ropa de los muñecos.
La mayoría de Maestros sigue la tradición de ser propietario de cajas de madera y otros materiales, para guardar sus calungas, muñecos o "chicos" como algunos lo llaman. Y, cuanto mayor sea la colección de muñecos, mayor será el tamaño de la maleta.

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La manipulación de estos personajes/títeres tiene como objetivo la puesta en escena de historias que se tejen en la tradición, alimentadas por la improvisación y la novedad. Se insertan en los recuerdos y las prácticas establecidas dentro de una rica tradición viva y dinámica, que viene avanzando durante décadas y que habla de este conocimiento que ocurre entre los miembros de una familia o en los relación brincantes/receptores, con práctica aprendida en el acto de jugar y que se introducen en los cuerpos brincantes.

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La audiencia, a su vez, tiene una importancia fundamental en la puesta en escena de la presentación y de su reacción, depende el éxito del juego. Y, hablando en la audiencia, el juego tiene lugar sólo delante de ella, a ella y con ella. Hay un respeto por la participación de los espectadores que se identifican con los títeres, en diversas situaciones de las presentaciones. Da legitimidad al juego escénico, elección y reconociendo de sus Mestres más creativos.

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Estos juegos escénicos son responsables por la diversión de los habitantes de pequeños sitios y barrios, escuelas, plazas públicas y pequeños circos populares, en la casa del propio titiritero o en otro lugar marcado por el interesado en cuestión. Normalmente sucede en zonas abiertas, detrás de una cortina o tolda donde el brincante maneja sus títeres. Esta es una presentación magistral de alegría colorida, vivacidad, con ritmo y expresión, sin sofisticación, apoyándose en la tradición.

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1) En Rio Grande del Norte, este teatro popular toma el nombre de "Juan Redondo" o "Calunga"; "Mamulengo" en Pernambuco; "Babau" en Paraíba; "Cassimiro Coco" en Ceará y Piauí.
2)José Miguel y Antonio Soares de Assis, conocido como los "Hermanos Relampo", Feliciano, Chico Daniel, Francisco Rosa, Joaquim Lino, João Constantino Dantas, Antônio Pedro da Silva, Joaquim Cardoso, Antônio Gordo, Paulo Vicente, José Bernardino, Jeremias Avelino, Sebastião Severino Bastos, ya fallecidos. O por Maestros que están activos, recientemente inventariados por el registro del Instituto del Patrimonio Nacional Histórico y Artístico -IPHAN para transformar el teatro de títeres del nordeste como Patrimonio Cultural del Brasil, como por ejemplo: Raúl, Heraldo Lins, Ronaldo, Francinaldo, Manoel Dadica, Zé do Fole, Marcelino, Felipe, Tío João, Josivan, Daniel, entre otros.